
E de repente sua vida vira de ponta-cabeça.
Algumas pessoas devem saber que eu estava com viagem marcada pra Portugal no final de agosto, fazendo intercâmbio de arquitetura na Universidade de Coimbra. Terça-feira chegou a resposta e… deu pra trás. De novo. É minha saga, deve ser o destino, Deus, tudo junto.
Da primeira vez eu e minhas amigas não fomos informadas que deveríamos preencher um certo formulário no site da universidade, logo a candidatura foi rejeitada. Dessa vez a crise bateu forte por lá e eles só chamaram 11 alunos do Brasil inteiro (eles sempre chamavam todo mundo da UFPE, mais ou menos umas 7 pessoas por semestre) e obviamente deram preferência a quem tava mais perto de se formar e não teria chance de tentar de novo. Ou seja: mifú. Vou pular a parte do gritei palavrões chorei rangi os dentes pra não entendiar vocês… heheh
Junte a isso uma decepção com a faculdade/carreira de arquitetura (gosto, mas não a ponto de trabalhar com isso pelo resto da vida), que já se arrasta há mooooito tempo: resolvi trancar arquitetura e começar faculdade de moda. Vontade antiiiga, adoro tudo que tem a ver com o assunto cof cof tirando as afetações, costurar me deixa feliz, tô sempre pesquisando e buscando referências.. Estudar em Coimbra era a última chance que eu estava dando à arquitetura, uma coisa meio “se não me empolgar nesse ano não dá mais”. Agora que não tem mais Coimbra.. Depois de um milhão e trezentas horas na terapia criei coragem pra fazer o que quero; chega uma hora em que você tem que escolher o tipo de futuro que quer construir pra si e no meu, definitivamente não vai ter espaço pra “que droga, tenho que trabalhar amanhã”.
O vestibular é segunda-feira, tô ansiosaaaa! hahaha Tá certo que é particular, não deve ser tão difícil, mas assim mesmo.. Em três dias passei de “yay, já já vou viajar” pra “aimeodeos estou inscrita pra um vestibular”! Wish me luck
Mies van der Rohe já dizia: “menos é mais” (ou, na língua dele, weniger ist mehr). Não aquele menos resultado da falta de criatividade, técnica, referências.. Não o menos que fica pronto depois de 15 minutos olhando para uma folha em branco.
A arquitetura “simplista” é, na minha opinião a mais difícil de se fazer, pois requer a transmissão da mensagem (a intenção por trás do projeto, o sentimento que cada pessoa vai experimentar quando adentrar o recinto, etc) com o mínimo de materias, enfeitinhos e “firulas”.
Admiro muito esse tipo de arquitetura, e simplesmente adorei esse projeto de loja para a More Cupcakes, concebido pelo arquiteto de Chicago David Woodhouse, que diz que a inspiração veio da simplicidade dos ingredientes básicos para a confecção do cupcake (contrastando com as exóticas opções do menu da loja, como o cupcake de foie gras). A pureza da farinha e a cremosidade da manteiga serviram como ponto de partida para o design da loja, que tem painéis de bambu para esconder embalagens, caixas, e tudo o que não deveria estar à vista, num lugar onde o protagonista é o doce.
O ponto culminante do design é o display dos cupcakes, de linhas retas e claras, ao nível dos olhos. A primeira coisa que pensei quando vi a foto da loja foi “joalheria”, e é exatamente isso o que Woodhouse queria alcançar com o seu projeto: fugir do projeto clichê de padaria, para que pudesse elevar cada cupcake ao nível de uma – por quê não? – obra de arte.

Fonte: http://www.thehighline.org/
A matéria de capa da Revista aU desse mês é sobre o High Line Park, mega projeto de jardim urbano realizado em New York, aproveitando uma linha férrea elevada que estava abandonada desde 1980. Tomei conhecimento do projeto há um tempinho atrás e fiquei espantada com as proporções: a linha férrea de 2.33km consumiu cerca de US$44 milhões arrecadados por ações públicas e privadas (incluindo a Associação dos Amigos do High Line) + US$108 milhões arrecadados pela prefeitura para ser reformada e habilitada ao uso do público. Afinal de contas, muito dinheiro foi gasto somente com a retirada de todo tipo de entulho que estava no local, e remoção da pintura original, que era de chumbo (material tóxico).

Fonte: http://www.psfk.com/2009/06/video-manhattan-high-line-reclaimed-as-park.html
Inspirada no Promenade plantée, em Paris, o High Line Park tem projeto assinado pelo estúdio de paisagismo James Corner Field Operations e projeto arquitetônico pelo Diller Scofidio + Renfro.

Fonte: http://www.psfk.com/2009/06/video-manhattan-high-line-reclaimed-as-park.html
Uma maravilha né? Um oásis no meio de tanto corre-corre, ótimo pra ler um livro à tarde, andar com o namo, assistir às pessoas passando e fazer a fotossíntese hahah. Algo me diz que se morasse perto, passaria hoooras aí.. Mais um lugar pra conhecer quando visitar NY! ;D