Confirmado: a nostalgia fashionística das últimas temporadas continua e o próximo it sapato a ser trazido de volta do mundo dos mortos é o tal salto gatinho.. Não deram nem tempo de nos acostumarmos com a lindeza das clogs, poxa..! hahah
O sapato marcou presença em vários desfiles outonais, e já tem muita fashionista trocando o saltão pelo saltinho. Uma delas é Giovanna Battaglia, editora-chefe da Vogue italiana masculina, que usa desde antes de virar temdemsiãããm.. Combina bem com o estilo feminino dela! Aliás, se vai usar o salto gatinho, aposte em saias, calças ajustadas (nada colado, por favor!) sempre mais curtas, vestidos, tudo para um look romântico sem ser bobo.
Mas a verdade é que os saltos gatinho são clássicos que, vez ou outra, são revisitados e atualizados. Como li em um artigo da Harper’s Bazaar indiana: “Kitten heels merely fell in and out of favour with fashion: disappearing in the wake of platforms in the 70s, returning with power dressing in the 80s, fading in the midst of 90s minimalism, only to be revived by Manolo – king of kitten heels – Blahnik in 2000.”
Tenho uma implicância assumida com esse tipo de salto porque néam, não te deixa mais alta, não te deixa mais imponente, não te força a ter uma postura elegante.. Serve pra quê, mesmo? heheh Mas em alguns casos do tipo “não quero ficar mais alta que meu marido” (minha mãe usa direto heheh oi, mainha!) ou se você tem algum problema que te impeça de usar um salto médio ou alto, é uma opção válida. E pras meninas, claro – usei horrores quando era menor e não sabia andar de salto, mas também não queria sair de rasteirinha
E vocês, já usam ou passam longe quando veem na vitrine?
A moda adora ressuscitar coisas que já estavam enterradas-e-em-decomposição, só pra fazer as meninas que dizem “nunca usarei isso” morrerem de vontade de usar e vergonha de dar o braço a torcer.. Mas calma, não me rendi às clogs – embora tenha visto uns modelos até bonitinhos lá em Buenos Aires kkkkk
Dessa vez são as calças boca de sino, que já vem aparecendo em desfiles e looks há alguns meses, com força total pra derrubar o reinado da skinny! Será que pega? Pessoalmente, acho bonito quando usado com saltos beeem altos, pra alongar a silhueta e dar aquela imponência – fora que o movimento quando se dá passadas largas de salto alto e uma calça mais folgadinha é incrível.
Diz que esse tipo de calça teve origem na calça dos marinheiros, que eram mais abertas a partir do joelho pra facilitar os movimentos, colocar por cima da bota, dobrar pra cima quando precisasse, etc. Nos anos 60 reapareceram de leve, até chegar ao volume máximo nos anos 70, popularizado pelos hippies e protestantes anti-guerra (ainda tem hífen? hahah). Até hoje a calça boca de sino é uma das coisas que todo mundo lembra quando pensa nos anos 70, né?
Mas também não é preciso ficar parecendo um revival ambulante hehe Se você juntar a calça flare em tecido plano com um belo par de saltos, fica o supra-sumo da elegância sem esforço! Pode usar um monte de peças básicas pra compor o look que ainda assim vai parecer uma executiva ryca indo pra um brunch
kkkkk
Essa sandália Miu Miu (a Schutz tem uma bem parecida) é o máximo que chego de uma clog ahahah
E vocês, gostam ou não largam as justinhas por nada nesse mundo?
Chegamos lá mortos após rodar 178273782 km, eu até sugeri irmos conhecer logo o Morro do Pai Inácio, mas minha família me olhou com cara de que-maconha-estragada-você-andou-fumando, então o primeiro dia na verdade é o segundo heheh
Nesse primeiro dia fizemos uma trilha que parte de dentro da cidade de Lençóis. Andamos um monte e chegamos no Serrano, que já chegou a ter mais de 40 mil garimpeiros vivendo e trabalhando lá, e onde ainda pode-se ver buraquinhos na rocha utilizados pra colocar dinamite. Durante todo o século 19, a região foi a maior produtora de diamantes do mundo, e a produção só desacelerou quando começaram a explorar a África do Sul. Depois que descobriram o Carbonado (chamado de diamante negro), a região voltou a ganhar destaque, e embora o garimpo “pesado” (com explosões, máquinas etc.) tenha sido proibido, ainda hoje algumas pessoas exploram manualmente a região à procura de pedras preciosas. No Serrano também passa o Rio Lençóis, formando várias piscinas com algumas quedas d’água, e o local é utilizado hoje em dia como motel. Sim, muito absurdo, mas encontramos algumas embalagens de camisinha em buraquinhos pelo chão.

Subimos mais um pouco e chegamos no Salão de Areias Coloridas, formadas pela decomposição de rochas de arenito e utilizadas para artesanato (tipo aqueles garrafinhas cheias de areia formando desenhos). Reza a lenda que existia uma mulher com seios tão grandes que arrastavam pelo chão dos salões, e andava dia e noite chorando procurando pro seus filhos perdidos. Oi? Lenda mais estranha que já vi, mas ok hehehue O guia pegou um pouco da areia e passou na mão, é impressionante como é pigmentada! Ainda por cima tem um tom levemente metálico, ele disse que também é usada pra fazer maquiagem, embora eu não tenha conseguido confirmar essa história..

A próxima parada foi a Cachoeirinha, onde – finalmente – tomamos banho! Mesmo estando nublado em quase todo o tempo em que passamos lá, fazia um calor absurdo, era uma alegria quando chegávamos numa cachoeira, lagoa, poço, o que fosse. Ainda por cima a água é GELADA e cristalina, ô delícia *-* Como o nome já diz, a cachoeira é bem pequenininha e não muito forte, mas nem por isso o lugar deixa de ser lindo.
A segunda cachoeira do dia foi a Cachoeira da Primavera, com queda d’água de 5m e que recebeu esse nome por causa da grande quantidade de flores de cedro d’água que aparecem na primavera. A água é tão forte que dói, pra tirar foto embaixo da cachoeira foi uma luta hahah No local também tem um poço de uns 2m de profundidade, de pura água negra (por conta da quantidade de matéria orgânica) e gelada
Quem tem medo de mergulhar no desconhecido, tipo a mãe da minha amiga, nem entra hahah mas é muito gostoso.
E, após andar e escalar mais um pouquinho, finalmente chegamos ao destino da manhã! Mirante de Lençóis, de onde dá pra ver toda a cidade lááá em baixo
Depois andar tudo de novo pra voltar, e chegamos assim hahah
Super apóio a idéia de fazer academia antes de viajar pra Chapada de novo… E isso foi apenas a primeira manhã de caminhada, depois voltamos pro centro de Lençóis, almoçamos, e em seguida fomos fazer outra trilha, com destino às piscinas naturais de Mucugezinho. Friiiio x)
É fácil se impressionar e admirar a força de vontade de Gabrielle “Coco” Chanel, depois de assistir o novo filme de Audrey Tautou e Anne Fontaine “Coco antes de Chanel”. A menina órfã de mãe, abandonada junto com a irmã em um orfanato pelo pai, que lá aprendeu a costurar e que, depois de deixar o lugar, ganhava a vida costurando em uma casa de enxovais de dia e cantando em cabarés à noite. Mas o que o filme não conta é como Coco realmente alcançou o sucesso, e não foi das formas mais bonitas de se ver.
Sua lista de amantes é extensa, incluindo milionários, políticos, empresários, e muitos, muitos homens influentes. Dizem as más línguas que ela sempre esteve preparada para dormir com quem fosse necessário, para conseguir o que queria. Um de seus amantes, o cartunista Paul Iribe, acreditava que uma relação mais próxima entre a França e a Alemanha traria ganhos para o povo francês, e foi assim que tempos depois ela procedeu.
Quando as tropas alemãs invadiram a França, Gabrielle já era conhecida por seus chapéus, suas roupas confortáveis (em oposição aos corsets e às camadas e mais camadas de saias), sua famosa fragrância Chanel n.5 e seu conceito de little black dress (o nosso pretinho básico). Passou todo o período de ocupação no Hotel Ritz, o quartel general alemão em Paris, onde manteve um caso com o oficial Hans Gunther von Dincklage, que lhe introduziu aos círculos de nazistas mais influentes. Nessa época, aproveitando-se do crescente anti-semitismo e das leis que proibiam negócios controlados por judeus, Gabrielle tentou tomar para si os direitos dos sócios judeus Pierre e Paul Wertheimer, com quem trabalhou em conjunto desde o início da fabricação de seus perfumes.
Por conta de seu prestígio e convívio com oficiais alemães (ela já era da inteira confiança deles, como um membro do partido), foi convidada a participar da Operação Modelhut, ou Operação Chapéu da Moda, em alemão, que consistia em aproximar o primeiro ministro Winston Churchill e o alto-comando germânico, trazendo assim os ingleses para a causa nazista. Gabrielle era a mais indicada para a missão porque era muito próxima de seu ex-amante Hugh Richard Arthur Grosvenor, duque de Westminster, que por sua vez era próximo do primeiro ministro inglês; do outro lado havia Walter Schellenberg, assistente direto de Heinrich Himmler, nome muito conhecido quando nas aulas de história o assunto estudado é o Holocausto.
Dona de uma personalidade forte, estilo ditatorial de lidar com seus empregados, e concepções raciais controversas, foi nessa época que a Chanel mais prosperou, abrindo várias lojas, afinal ela estava ao lado da fatia da população que ainda tinha condições financeiras para esbanjar e comprar suas criações: os colaboradores do nazismo. Especula-se, ainda, que o famoso logotipo CC tem a ver com o SS, da Schutzstaffel usado nos uniformes dos oficiais.
Quando o nazismo foi derrotado, mais de 6 mil mulheres que colaboravam com a causa alemã foram humilhadas, exibidas em praça pública com as cabeças raspadas. Gabrielle Chanel foi presa, mas rapidamente libertada graças ao antigo amante (lembra dele?), amigo de Winston Churchill. Porém, a França não a via mais como a personalidade inspiradora de antes, e ela foi expulsa do país, exilando-se na Suíça até o ano de 1956. Quando voltou, não foi bem recebida – os franceses ainda não a haviam perdoado. Além disso, as européias agora curvavam-se diante do “new look” de Dior, que devolvia a feminilidade, em oposição ao look minimalista e até um pouco masculino de Chanel. Ela só não foi à falência graças ao mercado norte-americano, que era apaixonado por seus little black dresses, e dessa época até hoje todo mundo sabe o que aconteceu. Crescimento e fama cada vez maiores, esquecimento quase que total desse período de sua vida (principalmente por parte dos filmes inspirados nela, como Coco Avant Chanel, de 2009 e Coco Chanel, de 2008), e admiração por parte de todo mundo que se interessa por moda.
Inclusive eu, claro, mas é difícil – diria que praticamente impossível – pesquisar tudo o que tive que pesquisar pra fazer esse post e ainda manter as mesmas opiniões. Não vou ser hipócrita e dizer que, se tivesse a oportunidade, não compraria algo da marca, mas de hoje em diante tenho certeza que toda vez que ver uma vitrine Chanel, ou desejar algum item da marca, sentirei uma coisinha ruim. Afinal de contas, por mais que o passado não possa ser mudado e seja saudável seguir em frente, certas coisas não deveriam ser tão facilmente esquecidas.
Depois do enorme sucesso da exposição Papiers à la Mode (que mostra 300 anos de história da moda e rodou o mundo por vários anos sendo apresentada em galerias, vindo inclusive à São Paulo no final de 2008), Isabelle de Borchgrave encanta com mais uma coleção incrível de trajes históricos. O diferencial da artista? Tudo é feito de papel!

Peças da exposição
Papiers à la Mode
Em sua nova exposição, I Medici: Une renaissance en papier, Isabelle nos leva ao Renascimento italiano nos tempos da poderosa família Médici, inspirando-se nos trajes usados pela corte à época do governo de Lourenço, O Magnífico.
Através de técnicas de trompe l’oeil, colagem, pintura, dobraduras, amassando, plissando, tingindo, o papel branco é transformado nas 29 peças que encantam tanto pela fidelidade aos trajes originais, muitas vezes retratados apenas em um quadro, quanto pela dedicação e elegância da artista, percebidas em cada mínimo detalhe.
Isabelle de Borchgrave estudou na Academia Real de Belas Artes e no Centro de Artes Decorativas de Bruxelas. Ela diz que sempre soube que trabalharia com arte, e ao longo dos anos fez experiências com cerâmica, porcelana, decoração (ela assina desde lounges de aeroportos até decorações de teatro em Bruxelas), costura (tendo suas criações usadas pelas mulheres mais ricas e influentes da Bélgica, incluindo a rainha Paola) e, claro, papel. Há trinta anos dedica-se a trabalhar com o papel, o que lhe conferiu título de expert no assunto.
Inicialmente em exposição no Palazzo Medici Riccardi, em Florença, as peças podem ser vistas até o dia 18 de abril no Musées royaux d’Art et d’Histoire, em Bruxelas.
Já conhecia o trabalho de Isabelle (pura inspiração pra quem adora história e moda, como eu!) há um tempinho, mas ainda não tinha visto essa nova exposição.. Deu uma super vontade de estar em Bruxelas! Será que a exposição vem pra Recife?! kkkkkkk NOT
Imagens: http://www.isabelledeborchgrave.com/ e http://www.imedici.net/