Acho que 9 entre 10 pessoas que trabalham com design, moda, arquitetura ou qualquer coisa dazárte já ouviram falar da Pantone, empresa criadora do sistema de cores mais famoso que faz com que o produto pretendido seja reproduzido na cor exata em que foi concebido. A perfeição é tanta que inclusive a bandeira de vários países tem suas cores especificadas usando a escala Pantone, pra que não exista uma bandeira do país com “o verde mais verde” ou “o amarelo mais vivo” que outra.
A empresa cresceu e há vários anos também vem criando outros produtos, que podem ser encontrados no Pantone Universe: são canecas (adoro!), roupas, materiais de escritório, e uma infinidade de outras coisas… Depois de tanto tempo inspirando os designers e decoradores, nada mais lógico que criar um Hotel Pantone!
O paraíso das cores fica lá em Bruxelas, tem o projeto arquitetônico belíssimo assinado por Oliver Hannaert e design de interiores assinado por Michel Penneman, ambos belgas. Cada um dos sete andares do hotel foi pensado de forma a transmitir diferentes sensações através da iluminação e cores utilizadas, e os quartos têm paletas de cores diversas, pra você escolher de acordo com seu humor (!!!). As paredes e roupas de cama brancas contrastam perfeitamente com o espectro de cores escolhido para cada quarto, que ainda conta com fotos de Victor Levy.
Além disso tudo, o hotel ainda oferece produtos da Pantone, inclusive bicicletas que você pode alugar pra passear pela cidade, e palestras sobre psicologia da cor e tendências do ramo. Os preços começam em 69 euros, o que sinceramente não acho caro pra um hotel com conceito tão interessante.. Só que não é destinado ao público geral que nem sabe o que é Pantone né?! heheh
Adoraria me hospedar nem que fosse por um dia lá! Se um dia for a Bruxelas, com certeza darei uma olhada
Todo mundo sabe que estudo arquitetura então, a pedidos, vou começar a fazer uns posts com pitadinhas arquitetônicas aqui e ali pras amyghas que gostam do assunto e também de decoração! Afinal de contas, assim como todos os campos artistícos, a arquitetura é constante fonte de inspiração pra estilistas (te amo, Gloria Coelho!!). Então, que tal conhecer alguns estilistas brasileiros formados em arquitetura mas que fizeram um leve desvio pelo caminho e foram parar na moda?

Talvez o mais conhecido aqui na terrinha seja Fernando Pires, apelidado de “o arquiteto dos pés”, que adora um salto altíssimo e tem suas criações constantemente desfiladas por Hebe, sua cliente mais fiel. O mais interessante é que moda não estava nos planos de trabalho dele, foi tudo culpa de uma cliente que percebeu o interesse de Fernando pela área quando ele estava trabalhando num projeto para a fazenda dela, e o incentivou a começar uma sociedade e criar uma linha de sandálias. De lá pra cá, mesmo com o final da sociedade ele continuou, fundando a marca Fernando Pires, e recentemente a marca Fernando Pires Chic, com preços mais acessíveis (porque tipos, um FP da linha “normal” chega a mil reais facin facin heheh).
Gustavo Lins, um ilustre desconhecido da maioria do público aqui no Brasil, é um dos grandes nomes da alta-costura e único membro latino-americano convidado a participar da Câmara Sindical da Alta-Costura em Paris, lado-a-lado com Dior e Chanel, só pra dar um exemplo. Gustavo formou-se em Arquitetura e Urbanismo em Belo Horizonte, começou a aprender sobre modelagem para fazer roupas para ele porque nunca estava satisfeito com o que encontrava no mercado, e foi ao trabalhar em seu doutorado sobre a relação roupas x construções em Barcelona que viu o que realmente queria fazer da vida. Foi para Paris onde foi aprendiz em maisons como Louis Vuitton, Jean Paul Gaultier e Kenzo e onde atualmente tem seu ateliê. O que impressiona no prêt-à-porter de Gustavo Lins é a perfeição do corte e da modelagem, além dos materiais luxuosos como seda misturados a materiais reciclados…

Pra finalizar, Mark Greiner, que concilia o trabalho nas duas áreas! Uma coisa meio “arquiteto pela manhã e estilista à noite”, não sei como ele consegue hehehe. Gosta de trabalhar na estrutura da roupa, assim como faria num edifício, experimentar materiais novos, volumes, e produz peças principalmente para festas. Como trabalha sob medida (quando apresenta uma coleção num desfile, é apenas uma “idéia” do que estava pensando no momento, para sensibilizar a platéia, não é para ser produzido/vendido), quem dita o preço é a cliente, e ele desenvolve o que pode ser feito naquela margem de preço. Interessante, né?
E começou o SPFW..! Uma das semanas mais importantes pra quem trabalha, quer trabalhar, ou simplesmente adora moda, queria muito ir não só pra ver os desfiles, mas pra conhecer toda a estrutura montada na Bienal. Tipo a cenografia assinada por Daniela Thomas e Felipe Tassara, que quis retratar o tema dessa edição (Anǐma, latim que pode ser traduzido como “alma” mas que na verdade é a energia/movimento de tudo o que é vivo) destacando o lado lúdico da moda, a alegria de viver e o colorido do povo brasileiro, até parece que somos sempre assim ok acredito.
Partindo da idéia de movimento que também faz parte do significado de anǐma, foram instalados vários cata-ventos na entrada do local, junto com uma roda gigante de verdade pra 16 pessoas no meio do saguão, e um tobogã que vai parar numa piscina de bolinhas (!!!) Os murais super coloridos pintados por grupos afros da Bahia são o contraponto perfeito pro interior do edifício modernista de tio Oscar.
Adorei, e vocês? É a minha cara ahahah não ia sossegar enquanto não descesse pelo tobogã! Meninas que estão no SPFW (alô Mayara do UltraGirl!), tirem fotos de detalhes da cenografia pra mim, please?
Mies van der Rohe já dizia: “menos é mais” (ou, na língua dele, weniger ist mehr). Não aquele menos resultado da falta de criatividade, técnica, referências.. Não o menos que fica pronto depois de 15 minutos olhando para uma folha em branco.
A arquitetura “simplista” é, na minha opinião a mais difícil de se fazer, pois requer a transmissão da mensagem (a intenção por trás do projeto, o sentimento que cada pessoa vai experimentar quando adentrar o recinto, etc) com o mínimo de materias, enfeitinhos e “firulas”.
Admiro muito esse tipo de arquitetura, e simplesmente adorei esse projeto de loja para a More Cupcakes, concebido pelo arquiteto de Chicago David Woodhouse, que diz que a inspiração veio da simplicidade dos ingredientes básicos para a confecção do cupcake (contrastando com as exóticas opções do menu da loja, como o cupcake de foie gras). A pureza da farinha e a cremosidade da manteiga serviram como ponto de partida para o design da loja, que tem painéis de bambu para esconder embalagens, caixas, e tudo o que não deveria estar à vista, num lugar onde o protagonista é o doce.
O ponto culminante do design é o display dos cupcakes, de linhas retas e claras, ao nível dos olhos. A primeira coisa que pensei quando vi a foto da loja foi “joalheria”, e é exatamente isso o que Woodhouse queria alcançar com o seu projeto: fugir do projeto clichê de padaria, para que pudesse elevar cada cupcake ao nível de uma – por quê não? – obra de arte.

Fonte: http://www.thehighline.org/
A matéria de capa da Revista aU desse mês é sobre o High Line Park, mega projeto de jardim urbano realizado em New York, aproveitando uma linha férrea elevada que estava abandonada desde 1980. Tomei conhecimento do projeto há um tempinho atrás e fiquei espantada com as proporções: a linha férrea de 2.33km consumiu cerca de US$44 milhões arrecadados por ações públicas e privadas (incluindo a Associação dos Amigos do High Line) + US$108 milhões arrecadados pela prefeitura para ser reformada e habilitada ao uso do público. Afinal de contas, muito dinheiro foi gasto somente com a retirada de todo tipo de entulho que estava no local, e remoção da pintura original, que era de chumbo (material tóxico).

Fonte: http://www.psfk.com/2009/06/video-manhattan-high-line-reclaimed-as-park.html
Inspirada no Promenade plantée, em Paris, o High Line Park tem projeto assinado pelo estúdio de paisagismo James Corner Field Operations e projeto arquitetônico pelo Diller Scofidio + Renfro.

Fonte: http://www.psfk.com/2009/06/video-manhattan-high-line-reclaimed-as-park.html
Uma maravilha né? Um oásis no meio de tanto corre-corre, ótimo pra ler um livro à tarde, andar com o namo, assistir às pessoas passando e fazer a fotossíntese hahah. Algo me diz que se morasse perto, passaria hoooras aí.. Mais um lugar pra conhecer quando visitar NY! ;D